O Viajante do Tempo de Wall Street - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

347 leituras ·  4 avaliação média ·  7 avaliações

O Viajante do Tempo de Wall Street - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min e Investimentos & Finanças

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Como bilhões se movem segundos antes de decisões de guerra... e ninguém consegue explicar por quê

Era segunda-feira, 23 de março de 2026, e o relógio marcava seis e quarenta e nove da manhã em Nova York. Os mercados ainda dormiam. Literalmente. Antes das sete da manhã, o mercado futuro de ações e petróleo nos Estados Unidos costuma ser um deserto... operações pequenas, volumes baixos, o tipo de silêncio que só quem acompanha telas em tempo real consegue perceber. Mas naquela manhã, o silêncio foi quebrado.

Em sessenta segundos, cerca de seis mil e duzentos contratos futuros de petróleo Brent e WTI trocaram de mãos. Valor estimado dessas operações: quinhentos e oitenta milhões de dólares. Quatro a seis vezes o volume normal para aquele horário. Quase ao mesmo tempo, alguém comprou um bilhão e quinhentos milhões de dólares em contratos futuros do S&P 500... o principal índice de ações dos Estados Unidos. E vendeu cento e noventa e dois milhões de dólares em petróleo. Quem fez essas operações estava apostando em duas coisas ao mesmo tempo: que as ações iam subir e que o petróleo ia cair. E fez isso numa manhã em que não havia absolutamente nenhum dado econômico agendado, nenhum discurso de autoridade do Federal Reserve, nenhum evento que justificasse esse nível de movimentação.

Quinze minutos depois, às sete e cinco da manhã, o presidente Donald Trump publicou na rede social Truth Social que os Estados Unidos e o Irã tinham mantido conversas "muito boas e produtivas" e que ele estava pausando por cinco dias os ataques planejados contra usinas de energia e infraestrutura energética iraniana. Foi como apertar um botão. Os futuros do S&P 500 dispararam mais de dois e meio por cento antes da abertura do mercado. O petróleo desabou quase seis por cento em minutos. O Dow Jones chegou a saltar mais de mil pontos nos futuros. Quem tinha feito aquelas apostas no escuro... de repente estava ganhando uma fortuna.

Para entender o tamanho do que aconteceu, pense assim: o mercado futuro funciona como um leilão que nunca para. Você não compra uma ação... você aposta na direção que o preço vai tomar. Se você compra futuros do S&P 500, está apostando que o índice vai subir. Se vende futuros de petróleo, está apostando que o barril vai cair. E quando você faz as duas coisas ao mesmo tempo, de madrugada, num volume absurdo, num dia sem nenhuma notícia programada, e quinze minutos depois sai a notícia que faz o mercado se mover exatamente na direção da sua aposta... bom, isso chama atenção.

O padrão que se repete

Essa não foi a primeira vez. E é justamente aí que a história fica mais difícil de ignorar.

No final de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram a operação militar conjunta contra o Irã, seis contas recém-criadas na plataforma de apostas Polymarket acertaram a data exata do ataque. Todas tinham sido abertas e financiadas nas vinte e quatro horas anteriores. Nenhuma tinha histórico de apostas. Juntas, lucraram um milhão e cento e sessenta e cinco mil dólares. A empresa Bubblemaps, especializada em rastrear transações em blockchain, verificou cada uma dessas contas e confirmou os números.

Um apostador em particular chamou atenção. A CNN teve acesso a uma análise que mostrou um único operador que, desde 2024, lucrou quase um milhão de dólares em dezenas de apostas sobre ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Essa pessoa acertou noventa e três por cento das apostas acima de dez mil dólares. Para ter uma ideia do que isso significa: operadores profissionais de alta frequência costumam ter uma taxa de acerto pouco acima de cinquenta por cento.

Em janeiro de 2026, outra conta anônima faturou mais de quatrocentos mil dólares apostando que os Estados Unidos fariam uma operação militar na Venezuela. Dias depois, veio a notícia da captura do presidente Nicolás Maduro. A conta tinha sido criada pouco antes da aposta.

E no início de março, uma conta com o nome "Magamyman" lucrou quinhentos e cinquenta e três mil dólares apostando na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, horas antes de um ataque israelense que o matou. A plataforma rival, Kalshi, chegou a anular parcialmente os pagamentos do mercado ligado à morte de Khamenei, citando regras internas que proíbem lucrar diretamente com a morte de um líder. A decisão causou revolta entre apostadores, que acusaram a plataforma de mudar as regras depois do jogo começado.

Voltando ao episódio da segunda-feira. Dez contas novas no Polymarket, a maioria com menos de uma semana de existência, tinham apostado cerca de cento e sessenta mil dólares num cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã até 31 de março. Se acertassem, o retorno potencial passava de um milhão de dólares. Após o anúncio de Trump na segunda-feira, os lucros em papel dessas contas subiram mais de trezentos mil dólares de uma vez. Pesquisadores apontaram que várias dessas contas pareciam ser carteiras divididas de um único investidor tentando esconder sua identidade.

O que sabemos e o que não sabemos

Vamos separar o que é fato verificado do que é especulação.

Fato: operações de volume anormal aconteceram entre seis e quarenta e nove e seis e cinquenta da manhã em Nova York, quinze minutos antes do anúncio de Trump. Isso foi confirmado pela CNBC, pelo Financial Times, pela Bloomberg e pela BBC, com base em dados de mercado do CME Group.

Fato: essas operações eram quatro a seis vezes maiores que qualquer outra no mesmo horário.

Fato: o S&P 500 subiu mais de dois e meio por cento nos futuros após o anúncio, o petróleo caiu quase seis por cento, e quem estava posicionado na direção certa lucrou pesado.

Fato: o Irã negou que qualquer negociação tenha acontecido. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, escreveu publicamente que o anúncio de Trump era "notícia falsa usada para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os Estados Unidos e Israel estão presos". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã também negou qualquer conversa direta ou indireta.

Fato: a Casa Branca rejeitou as alegações de que alguém no governo teria lucrado com informação privilegiada. O porta-voz Kush Desai afirmou que a administração "não tolera que qualquer funcionário se beneficie ilegalmente de informação não pública".

Agora, o que não sabemos.

Não sabemos quem fez as operações. Os mercados futuros não exigem divulgação pública de identidade em tempo real. A SEC e a CFTC, os dois principais reguladores financeiros dos Estados Unidos, ainda não se pronunciaram oficialmente sobre esse caso específico. A CME, que opera as bolsas de futuros, também não comentou.

Não sabemos se as operações foram feitas por uma pessoa, um grupo, um fundo ou um algoritmo. Existe uma hipótese levantada por alguns analistas de que algoritmos de negociação de alta frequência podem ter detectado sinais indiretos... talvez atividade incomum em redes sociais, movimentação no entorno da Casa Branca, ou até mesmo vazamentos parciais de informação que circulam em canais privados antes de se tornarem públicos. Essa possibilidade, embora menos dramática, não pode ser descartada. Hoje, cerca de noventa e dois por cento das operações no mercado de câmbio já são feitas por algoritmos, e esses sistemas são desenhados para captar micro-sinais que humanos não conseguem perceber.

Não sabemos se o anúncio de Trump refletia uma negociação real ou era uma manobra política. O Irã nega. A Casa Branca afirma que sim. Trump chegou a dizer que estava conversando com um líder iraniano cujo nome ele não revelaria "para que ele não fosse morto".

O caso regulatório: por que isso importa

Se alguém operou com informação privilegiada sobre uma decisão de guerra, estamos diante de algo que vai além do mercado financeiro. Operar com informação privilegiada sobre um resultado esportivo ou uma fusão de empresas já é crime federal nos Estados Unidos. Operar com informação privilegiada sobre decisões militares que envolvem vidas humanas levanta questões de outra magnitude.

A organização Public Citizen, que representa mais de um milhão de membros nos Estados Unidos, enviou uma carta formal à CFTC pedindo investigação. O senador Chris Murphy, de Connecticut, chamou o episódio de "corrupção alucinante" e perguntou publicamente quem estava por trás das operações. Junto com o deputado Greg Casar, do Texas, ele apresentou um projeto de lei que proibiria mercados de apostas em "ações governamentais, terrorismo, guerra, assassinato e eventos em que uma pessoa conhece ou controla o resultado".

Do outro lado, há quem argumente que os mercados de previsão como o Polymarket prestam um serviço ao agregar informação dispersa e torná-la pública. O próprio Presidente do Polymarket, Shayne Coplan, disse no passado que era "muito legal" que sua plataforma criasse incentivos financeiros para que pessoas divulgassem informações ao mercado, incluindo potenciais insiders. Essa visão tem apoio na teoria econômica dos mercados eficientes, que sugere que quanto mais informação for incorporada aos preços, melhor para todos os participantes.

Na prática, o que está acontecendo agora é uma corrida entre reguladores e plataformas. Na segunda-feira, tanto o Polymarket quanto a Kalshi anunciaram novas regras e sistemas de vigilância. O Polymarket reescreveu seus termos para proibir explicitamente três tipos de comportamento: negociar com informação confidencial roubada, negociar com dicas ilegais de insiders, e negociar quando o apostador tem capacidade de influenciar o resultado do evento. A Kalshi baniu dois operadores por suspeita de insider trading, a primeira ação pública desse tipo na história da plataforma.

Mas há um problema estrutural: o Polymarket opera internacionalmente usando blockchain e criptomoedas. As contas são anônimas. Rastrear os donos das carteiras é tecnicamente possível, mas extremamente difícil. A plataforma americana do Polymarket, que estaria sob jurisdição da CFTC, ainda não está totalmente operacional. Os americanos podem acessar a versão internacional usando uma rede virtual privada. E a CFTC, o órgão regulador que deveria fiscalizar tudo isso, tem apenas um comissário em exercício, nomeado pelo próprio governo Trump. Não exatamente o cenário ideal para uma investigação independente.

Para completar o quadro: Donald Trump Jr., filho do presidente, é conselheiro do Polymarket e seu fundo de capital de risco investiu milhões na empresa. A administração Trump encerrou duas investigações federais contra o Polymarket que tinham sido abertas pelo governo Biden. Apoiadores do governo argumentam que isso reflete uma postura pró-inovação e pró-mercado. Críticos enxergam um conflito de interesses evidente.

O que aconteceu com o mercado depois

Quem comprou na segunda-feira de manhã celebrou por algumas horas. Mas na terça-feira, 24 de março, os futuros do S&P 500 já tinham devolvido boa parte dos ganhos, caindo cerca de meio por cento no pré-mercado. O motivo: as negações enfáticas do Irã minaram a credibilidade do anúncio de Trump. O mercado começou a precificar a possibilidade de que a pausa nos ataques fosse temporária, ou pior, que não existisse nenhuma negociação real.

O petróleo, que já estava acima de cem dólares o barril antes do episódio, continua sendo o termômetro central desta crise. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de vinte por cento de todo o petróleo consumido no mundo, está parcialmente bloqueado desde o início do conflito. O Morgan Stanley alertou seus clientes sobre um cenário de "derretimento caótico rumo à estagflação"... ou seja, uma combinação de economia parada com preços subindo, o pior dos dois mundos.

A pausa de cinco dias anunciada por Trump expira na sexta-feira, 28 de março. Se não houver progresso concreto, analistas preveem que o mercado pode devolver todos os ganhos da segunda-feira e ir além. O VIX, o chamado índice do medo de Wall Street, ultrapassou trinta pontos pela primeira vez desde o início de março, um sinal de que os investidores estão se preparando para mais turbulência.

O que fazer com essa informação

Existem três cenários possíveis a partir daqui, e cada um deles pede uma postura diferente.

Cenário um: um acordo real se materializa. Se os Estados Unidos e o Irã chegarem a um cessar-fogo verificável, com reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado de ações pode ter uma alta forte e sustentada, o petróleo pode recuar para a faixa de setenta e cinco a oitenta e cinco dólares, e os setores mais castigados pela guerra, como consumo, tecnologia e transporte, tendem a liderar a recuperação. Para quem investe, esse cenário favorece manter posições em renda variável e reduzir exposição a commodities de energia.

Cenário dois: a pausa é uma manobra e os ataques recomeçam. Se a sexta-feira chegar sem avanço diplomático e os bombardeios forem retomados, o petróleo pode ultrapassar cento e vinte dólares o barril, as bolsas globais podem ter outra rodada de quedas fortes, e ativos considerados portos seguros como ouro, dólar e títulos do Tesouro americano voltam a ser os preferidos. Para quem tem patrimônio exposto a risco, esse cenário pede cautela, diversificação e liquidez disponível.

Cenário três: a indefinição se prolonga. O mais provável no curto prazo. Nem guerra total, nem paz real. O mercado oscila ao sabor de cada postagem em rede social, cada negação do Irã, cada ameaça de novo prazo. Para investidores, esse é o cenário mais perigoso, porque gera a ilusão de normalidade entre os choques. A tentação de tentar antecipar o próximo movimento é enorme, mas os números mostram que até profissionais com décadas de experiência estão sendo pegos de surpresa. Como disse o Presidente da BlackRock, Larry Fink, em sua carta anual divulgada na segunda-feira, "historicamente, ficar investido importou muito mais do que acertar o momento certo".

Para quem não investe diretamente, a informação mais útil é outra: os preços de combustíveis, alimentos e produtos importados estão sendo afetados por essa volatilidade. Planejar gastos, evitar dívidas de curto prazo e manter uma reserva de emergência são decisões práticas que fazem diferença independente de qual cenário se concretize.

E para quem acompanha o debate sobre regulação: este episódio pode ser o ponto de inflexão que obriga legisladores a decidirem se mercados de previsão em eventos geopolíticos devem existir da forma como existem hoje. Dois projetos de lei já estão em tramitação no Congresso americano. A resposta que vier moldará o formato desses mercados por anos.

A única certeza, por enquanto, é que alguém sabia. Ou pelo menos agiu como se soubesse. E enquanto os reguladores tentam alcançar a velocidade dos algoritmos e das carteiras anônimas, o jogo continua acontecendo em tempo real.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?